Andross Editora - ENTREVISTAS
NOVOS AUTORES,
NOVAS TENDÊNCIAS
ENTREVISTAS

 

Claudio Brites & Kizzy Ysatis
(Respectivamente o organizador e o prefaciador de O LIVRO NEGRO DOS VAMPIROS)

 

Professora Maria Cecília Lopes
(Autora do artigo METODOLOGIA DE ENSINO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS: RETROSPECTO E PERSPECTIVAS, publicado no livro A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LÍNGUA(S): INTERAÇÃO ENTRE O SABER E O FAZER, lançado pela Andross Editora)

 

Professora Gislene T. R. D.  de Carvalho
(Organizadora de dois volumes da série
FORMAÇÃO DE PROFESSORES E ESTÁGIOS SUPERVISIONADOS,
lançados pela Andross Editora)

 



 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Professora Gislene T. R. D.  de Carvalho
(Organizadora de dois volumes da série FORMAÇÃO DE PROFESSORES E ESTÁGIOS SUPERVISIONADOS, lançados pela Andross Editora)

 

1 - Por que a formação do professor é um assunto tão evidenciado hoje em dia?
Este assunto está em evidência porque o Brasil durante os anos de 1970, 1980 e 1990 expandiu suas rede de ensino fundamental e médio, o que, evidentemente era necessário. O problema foi que esta expansão, massificação necessária sem sombra de dúvida, não foi acompanhada de fato de qualidade de ensino. A qualidade de ensino só começou a ser questionada amplamente e se transformou em pauta na mídia a partir da metade dos anos de 1990. Universalizamos (ou quase...) o ensino fundamental e precisamos, urgentemente, melhorar sua qualidade para formarmos cidadãos preparados para os novos tempos.


2 - Do que se tratam os livros que a senhora organizou?
Os dois livros desta série Formação de professores e Estágios Supervisionados tratam sobretudo de práticas educativas e relatos de experiência, tanto de professores como de alunos dos cursos de licenciatura, vividos por estes protagonistas em seus estágios realizados em unidades escolares das redes de ensino pública e privada. Tratam também de práticas interdisciplinares e há alguns textos que discutem teoricamente questões relativas à formação do professor e aos estágios.

3 - Em que a senhora acha que essas publicações podem ajudar ao profissional do ensino?
Considero que os textos destes livros, na medida em que são, na sua grande maioria, fruto de experiências vividas por alunos e professores que atuam em escolas da periferia de São Paulo, possam ajudar outros colegas e estagiários a refletirem sobre a importância dos estágios na formação do professor que já atua ou estará atuando em breve junto a uma população que precisa ter o conteúdo de cada disciplina adequado às necessidades dos novos tempos e que precisa , também, preparar-se fortemente para ser um cidadão consciente de seus direitos e de seus deveres. 

Gislene Teresinha Rocha Delgado de Carvalho
Especialista em Didática do Ensino Superior pela UNICSUL. Docente das disciplinas Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Estágio Supervisionado na UNICSUL. Coordena o Núcleo de Formação e Especialização Profissional – NUFEP. Foi professora efetiva na rede estadual paulista e coordenadora do Centro de Estudos de Línguas além de diretora de escola, co-organizadora de Formação de Professores e Estágios Supervisionados: relatos e reflexões. Andross Editora, 2004.
Contato com a autora: giscarv@hotmail.com

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Professora Maria Cecília Lopes
(Autora do artigo METODOLOGIA DE ENSINO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS: RETROSPECTO E PERSPECTIVAS, publicado no livro A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LÍNGUA(S): INTERAÇÃO ENTRE O SABER E O FAZER,
lançado pela Andross Editora)

1- Quando se fala em ensino de língua inglesa, pressupõe-se o emprego de uma determinada metodologia, que pode ser a repetição (método direto) ou a abordagem comunicativa entre outras. Qual é a última tendência em método/abordagem de ensino para a língua inglesa?
Acho que a minha resposta será direta e objetiva: o bom senso. Por uma razão bem clara: há tantas tendências que a mais bem sucedida é aquela que aliar a necessidade do aluno à competência do professor. Os demais fatores são satélites secundários, mas não menos importantes, é claro. Novos materiais didáticos com novas tecnologias podem instrumentalizar a boa aula de inglês. Mas ainda confio na competência do professor, sua boa formação didático-pedagógica e lingüística como um ótimo princípio que deve adequar-se àquilo que o aluno necessita.

2- O que faz determinado método/abordagem ter mais eficiência do que os demais?
Creio que o conjunto de métodos/abordagens é mais eficaz do que apenas um. Atualmente fala-se muito em 'língua em uso' e há várias tendências para aproximar a aula de inglês à realidade. Portanto, seja com gramática e tradução ou com abordagens mais comunicativas, a aproximação à língua inglesa escrita e falada deve ser uma premissa vital no preparo de materiais e aulas.

3- Como fazer do computador uma ferramenta positiva no ensino de inglês?
Como mencionei anteriormente, a 'língua em uso' deve ser apresentada aos alunos. O docente pode acessá-la em bancos de dados chamados corpora on-line para aproximar a realidade do aluno, e este deve ser encorajado a ter um comportamento mais autônomo. O aluno pesquisador e o professor mediador podem utilizar essas ferramentas para as 4 habilidades da língua e o efeito colaborador normalmente enriquece a aula. Mas é importante frisar que o computador é apenas uma ferramenta que não substitui o professor.

4- Você desenvolve um projeto de pesquisa no programa de doutorado em Lingüística Aplicada da PUC. Como sua pesquisa pode fornecer subsídios a metodologia de ensino de inglês?
Minha pesquisa em Lingüística de Corpus está atrelada aos estudos de tradução. Contudo, procuro vislumbrar alguns aspectos relacionados ao ensino, em especial a elaboração de material didático. Sempre levo ao grupo meus questionamentos sobre o material que conheço e que é usado em aula. Acredito que a Lingüística de Corpus é uma grande aliada para atualizarmos livros, CDs e demais materiais didáticos deixando-os mais dinâmicos e realistas.

5- Na sua opinião, quais são as características ou qualidades essências que tornam um professor de língua inglesa eficiente na sua ' práxis' pedagógica?
Profissionalismo, constante atualização, preparo adequado das aulas para um determinado grupo e reflexão. O professor que não pára e reflete por dois minutos sobre sua ´práxis' pode incorrer no erro de dar o mesmo conteúdo da mesma forma sem preocupar-se com as necessidades e expectativas de seus alunos. Isso poderá dar à aula um caráter pasteurizado.  Os alunos são diferentes entre si numa mesma turma, que dirá em turmas e escolas diferentes. Refletir, atualizar-se, buscar o seu melhor sempre. Não é receita. Apenas a constatação do óbvio. Como disse no início, o bom senso.

Maria Cecília Lopes
Mestre em Lingüística Aplicada ao Ensino de Línguas pela PUC-SP; Coordenadora e professora do curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Língua Inglesa da UNICSUL. Consultora da Assessoria Lingüística Universo das Letras. Tradutora. Docente das disciplinas Língua Inglesa, Estágio Supervisionado em Língua Inglesa, Metodologia de Ensino de Língua Inglesa, e Teoria e Prática de Tradução. Autora da coleção de livros para escola de idiomas English One-Eleven (1996).
Contato com a autora: cecilialopes@uol.com.br

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Claudio Brites & Kizzy Ysatis

(Respectivamente o organizador e o prefaciador de O LIVRO NEGRO DOS VAMPIROS)

 

Claudio, como surgiu a idéia de organizar uma antologia de contos de vampiros?

 

CLAUDIO: Kizzy tinha essa idéia já havia algum tempo, mas, na época, a Andross tinha outros projetos e não poderia viabilizá-la. Logo que abriu um espaço na agenda da editora, Edson Rossatto, o editor, entrou em contato com o Kizzy para dar ânimo à proposta. Contudo ele era quem não poderia, por conta de seu trabalho, um novo romance para Editora Novo Século. Como eu era amigo em comum dos dois, acabou surgindo meu nome. Rossatto e eu já tínhamos conversado sobre a possibilidade de eu vir a organizar alguma coletânea. Já publicara bastante pela Andross, e ele gostava de como eu fermentava as outras antologias, mesmo não sendo organizador.

 

 

 

E por que escolher Kizzy Ysatis para prefaciar a obra?

 

CLAUDIO: Bom, como a idéia inicial havia sido dele, era mais do que justo. Já que não ia mais organizar que apadrinhasse. E mais, Kizzy é um dos autores, atualmente, que mais conhece de Vampiro no Brasil. Sua pesquisa vem de anos de dedicação. Isso está mais do que provado nas entrevistas que ele concedeu e no prêmio de sua obra, que o coroou como um novo talento da literatura e como especialista no assunto. Não havia prefaciador mais indicado para o contexto.

 

 

 

É notória a existência de um fascínio entre as pessoas pelo tema vampiro. Por que isso acontece?

 

CLAUDIO: Na minha singela opinião, toda lenda é a representação de um daqueles arquétipos que Jung listou. Ela representa algo de nosso inconsciente que damos forma para tentarmos entender, refletir sobre. O vampiro está ligado à nossa fome pela imortalidade e à nossa predisposição em sobreviver a qualquer custo. É o mistério em nós e o medo do desconhecido. Os românticos adicionaram a isso a figura do enamorado, um apaixonado na danação eterna. Essa mistura toda caiu nas graças da ferramenta poderosa que é o cinema e a lenda ficou pop. Nos reconhecíamos nela e ela nos foi reapresentada várias e várias vezes, o fascínio natural amplificado pelo marketing... mistura infalível.

 

KIZZY: Existem temas que não se esgotam nunca, basta ter imaginação. O vampiro é um desses temas porque abraça características indissolúveis do paladar humano; que são o sexo, a morte e a razão da existência. Tais temas, todos agregados ao mito do vampiro, agradam a humanidade desde a infância dos séculos. Em o CLUBE DOS IMORTAIS - A Nova Quimera dos Vampiros procurei fazer uma obra intimista, que falasse mais à alma; não fiquei satisfeito em criar personagens, quis dar vida a eles cavando abismos em suas existências e expondo, sem censura, todos esses danos da psiquê. O esforço e o tempo dedicado valeram a pena, fiquei muito feliz com o prêmio que o livro recebeu. Primeiro tomei um susto, depois achei que fosse mentira, mas depois meu coração se encheu de júbilo. Portanto, cada autor, ou escritor, faz de um jeito. O vampiro é um desses temas maleáveis.

 

 

 

Em O LIVRO NEGRO DOS VAMPIROS não encontramos nenhuma história de humor. Há alguma razão?

 

CLAUDIO: O nome veio primeiro e ele, de certa forma, deu o tom ao livro.  Depois veio a idéia de deixá-lo em coerência com a visão de Flávia Muniz, autora de Os noturnos, da qual somos admiradores, a respeito da lenda: Vampiros são violentos, melancólicos, sensuais. São seres amaldiçoados e poderosos. Para conhecê-los é preciso, antes de tudo, ser capaz de saborear o clima de perdição em que se encontram. E então, amá-los. Perdição, danação e sensualidade foi o que buscamos em cada texto. Mas claro que tem história de humor! Humor Negro. Zapping, por exemplo.

 

KIZZY: Morei três meses no norte da Espanha durante o mais rigoroso inverno dos últimos sessenta anos. Ali amanhecia às dez da manhã e anoitecia as cinco e meia da tarde. Por mais que me esforçasse, dormia às oito e acordava às sete. Não vi aquele amanhecer moribundo. Depois de um mês, o corpo estranhou, bem como as substâncias misteriosas do cérebro. O dia não existia e nele está contido toda a alegria dos seres vivos. Com o tempo, tornei-me melancólico e todo humor resistente era de uma textura sarcástica e irônica. Agora imagine, com a mais parca noção, como seria a imortalidade noturna?

 

 

 

Kizzy, como um autor já consagrado nessa temática, o que achou dos textos selecionados para compor O LIVRO NEGRO DOS VAMPIROS?

 

KIZZY: Não sei se sou um autor consagrado, apenas começo a colher frutos de um esforço antigo e sofrido como só eu sei, mas ainda estou sendo reconhecido e, aos poucos, respeitado pelo avanço boca a boca que meu único romance tem feito. Tem agradado leitores e intelectuais conservadores. Agora, sobre os textos de O Livro Negro dos Vampiros, há muito o que se falar. O livro mal saiu e já agrada a gregos e troianos, ou melhor, agrada a toreadores e malkavianos. Não digo que é um livro colorido, mas as nuances de cinza são dos mais belos tons. É um livro sofisticado e livre de preconceitos. Moderno, adulto, sério, contundente. Os autores estão de parabéns.

 

 

 

O LIVRO NEGRO DOS VAMPIROS tem, obviamente, histórias de vampiros. Mas ele é um livro de terror?

 

CLAUDIO: Penso que ele é um mosaico em que o vampiro está dividido em todas as suas possibilidades e nem todas convocam o terror. Alguns nos fazem refletir, outros despertam desejos. Acho que o terror está permeando todos os cantos por conta de nosso protagonista. O livro provavelmente vai ficar na estante designada ao gênero nas livrarias. Mas o livro em si não é uma obra de terror, é literatura fantástica.

 

KIZZY: Sim e não. Já de cara o desconhecido assusta, por isso, em sua base, é um livro de terror. O vampiro é um personagem do terror; por outro lado é também fascinante, romântico, inspirador em alguns casos, filosófico e inteligente em outros. Em última análise, é de uma riqueza profunda e arrebatadora. Imortal, eu diria. Não há que ter preconceito com este tema – terror - talvez o mais instigante, não apenas da fantástica, mas da literatura em geral, em toda sua grandeza.

 

 

 

CLAUDIO BRITES nasceu em São Paulo, Capital, em 1983. É formado em Letras. Tem diversas obras publicadas em antologias, entres elas Brainstorm e Folhas ao Vento, ambas da Andross Editora. É organizador da coletânea de poemas Prática de Escrita – A Poesia: um Estímulo à Percepção e à Criatividade e autor dos livros Talvez e A Tríade.
Contato com o autor: claudiobrites@gmail.com

 

KIZZY YSATIS nasceu em Santos, São Paulo, em 1977. É o autor de Clube dos Imortais – A Nova Quimera dos Vampiros (prêmio Rachel de Queiroz 2005 pela UBE), Diário da Sibila Rubra – O Retorno das Bruxas, Asas de Gael, O Mistério do Rio das Rosas Brancas e Brainstorm.
Contato com o autor: kizzyysatis@gmail.com

 

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